terça-feira, julho 17, 2007

054 - 17/07/2007 - O jogo

E então havia o WarCraft III.
Como as pessoas faziam para passar o tempo antes dele eu não sei.
Como eu pude sobreviver até hoje sem esse jogo também não sei.
E como pode um par de CDs de joguinho pra computador deixar alguém assim, também, mais uma vez, não sei.

Sábado, nove horas da manhã.
O sol já esquentava o quarto desde quatro da madrugada e a ida para o Thermas "da ilha", aquele com toboáguas de 150 metros, estava garantida.
Gabriel e Davi dormiam, ainda se recuperando da noite onde guerrearam contra Orcs, Night Elfs e Undeads. Eu ligo o notebook e começo a brincar com o jogo, enquanto espero que acordem.
O Diego acorda.
E eu digo a ele que ele não passa de um verme rastejante quando o assunto é WarCraft.
Ele diz que se existe alguém que não vale o prato que come, esse alguém sou eu.
Carinhos trocados, desafio aceito.
Ele liga o notebook.
Ligamos um cabo de rede nos dois computadores.
Cada um com um CD.
Notebooks dispostos um de costas para o outro.
Começa o jogo.
No início tudo parece calmo.
Procuro ouro, madeira e itens para compor meu exército.
Treino "meus homens", como dizem nos filmes.
Estou forte e sou numeroso.
Com minha estratégia é fácil, pensei.
E parto pra cima do exército inimigo munido de soldados, arqueiros, cavaleiros, águias, heróis, peões, helicópteros, catapultas, fadas, lança-bombas e tudo o mais que eu tinha e que foi possível comprar ou construir.
No território inimigo o oponente resiste, mas não por muito tempo
A superioridade absoluta do meu exército é assombrosa, não há mais o que fazer...
A surra é generalizada
É possível ver a lágrima descendo dos olhos do derrotado.
São lágrimas fracassadas, infelizes. O oponente cai de joelhos.
O semblante se transforma e já dá para perceber a cara de cachorro que fez xixi no tapete e sabe que seu dono está chegando.
Os movimentos do mouse perdem a intensidade.
A aura escurece.
Enquanto isso me divirto olhando o massacre covarde dos bravos guerreiros sobre o exército puffy
E então,
Subitamente,
Durante um dos muitos recuos do inimigo,
E acidentalmente,
ele faz Uma descoberta,
no meio da batalha,
que dá início a uma pequena resistência.
A águia suicida.
Ela vai de encontro à minha e explode.
Águias suicidas, pensei, de onde veio isso?
E começa então uma reação em cadeia que segue em linha crescente e contrária à que se desenhava anteriormente.
Começo a enfraquecer.
Lutamos até não sobrar nenhum exército em campo. Nem meu, nem dele.
Fim da primeira batalha.

Mas a guerra não havia terminado e sob meu comando um novo exército estava sendo erguido.
Mas o lacaio mocorongo utiliza uma tática de ataque noturno.
E sorrateiramente constrói torres de destruição em massa bem próximas ao meu centro de comando.
Quando amanhece o dia
E antes que eu pudesse convocar meu novo exército
As torres entram em ação
Primeiro morre um soldado
Depois morrem dois
Já são dez
Cinquenta
Morrem todos
De fato, morrem quase todos
exceto um peão
Um mero trabalhador braçal
Tento escondê-lo
Mas chega alguém.
Assustadoramente maior que meu pobre peão
o golpe é único e suficiente.
Fim do jogo.
Eu perco a emocionante e empolgante disputa porque meu adversário aprendeu uma tática de guerra por acaso enquanto tentava fugir de mim.
As lágrimas agora estão no meu olho.
As lágrimas do bravo guerreiro. Lágrimas de ódio.
Porque eu odeio perder.
São três horas da tarde.
Já não dá mais pra ir ao thermas da ilha.
Amanhã a gente vai.
Agora é a vez dos meninos.
Dez horas da noite sou eu de novo.
Contra ele.
Porque eu odeio perder.

Warcraft III

Um comentário:

Letícia disse...

EU AMOOOO WARCRAFT!!!!!
E TAMBÉM ODEIO PERDER!!!
Ah! Tente digitar isso aki:
greedisgood
iseedeadpeople
whosyourdaddy
thereisnospoon

Mas só de zoação, pq o maior desafio do WarCraft, é vencer a você mesmo!!

Boa Sorte!